OPERAÇÃO LABIRINTO
MPRO denuncia quatro por suposta milícia e lavagem de dinheiro em RO
Denúncia aponta grupo armado e ocultação de patrimônio em disputas agrárias no estado
Publicado em 07/10/2026 às 07:48
Uma investigação que começou com apurações sobre conflitos agrários avançou para suspeitas de milícia privada e lavagem de dinheiro em Rondônia. O Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Gaeco, denunciou quatro investigados no âmbito da Operação Labirinto de Bronze.
Segundo a denúncia, parte dos acusados teria integrado, entre janeiro de 2019 e maio de 2026, uma estrutura armada, estável e permanente que atuaria em conflitos fundiários nos municípios de Buritis, Ariquemes, Machadinho do Oeste e Cujubim.
Conforme o MPRO, o grupo seria empregado na vigilância de propriedades rurais, intimidação e retirada de ocupantes, enfrentamento de grupos rivais e outras ações violentas relacionadas a disputas de terras. A investigação também aponta uma possível atuação na prestação remunerada de segurança armada.
Investigação aponta ocultação de patrimônio
Além das suspeitas de milícia, o MPRO identificou, em tese, mecanismos utilizados para ocultar e dissimular patrimônio. Entre os bens e recursos analisados estão imóveis rurais e urbanos, veículos, gado, movimentações bancárias e direitos registrados em nome de terceiros.
A denúncia descreve sete fatos relacionados à lavagem de dinheiro, praticados por meio de operações distintas.
Entre os bens abrangidos pelas investigações estão 1.611 cabeças de gado e sete veículos, além de propriedades rurais e valores movimentados por contas bancárias e por uma empresa que, segundo o Ministério Público, teria sido utilizada na estrutura de ocultação patrimonial.
MP pede perda de mais de R$ 31 milhões
O MPRO também requereu à Justiça a perda dos bens, direitos e valores relacionados direta ou indiretamente aos crimes investigados.
Até o momento, o patrimônio alcançado pelas medidas assecuratórias é estimado em R$ 31,37 milhões. O Ministério Público pediu ainda o recebimento da denúncia, a citação dos acusados e o prosseguimento da ação até o julgamento.
Os investigados foram denunciados, conforme a participação individual atribuída a cada um, pelos crimes de constituição, organização, integração ou manutenção de milícia privada e lavagem de dinheiro.
Operação teve duas fases
A primeira fase da Labirinto de Bronze foi deflagrada em 26 de maio de 2026, com sete mandados de busca e apreensão cumpridos em Ariquemes, Cujubim e Porto Velho. Na ocasião, também foram determinadas medidas para bloqueio de recursos e constrição de imóveis, veículos e 1.611 cabeças de gado.
Em setembro, o Gaeco deflagrou a segunda fase após aprofundar a análise de aparelhos eletrônicos e documentos apreendidos na etapa inicial. Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva, um de busca e apreensão em Ariquemes e outras medidas cautelares.
Também foi autorizado o sequestro de 50% das quotas, direitos societários e direitos econômicos vinculados a uma empresa sediada em Aparecida de Goiânia (GO).
A denúncia ainda será analisada pela Justiça. As acusações apresentadas pelo MPRO não representam, neste momento, uma condenação dos investigados.
Fonte: Da Redação
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