O salário mínimo pode chegar a R$ 1.717 em 2027, segundo proposta enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (15). O valor consta no Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) e representa um aumento nominal de 5,92% em relação ao piso atual.
O reajuste segue a política de valorização que combina a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) com o crescimento da economia. Para o cálculo, o governo considera a projeção de 3,06% para o INPC acumulado até novembro, além da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.
Apesar da retomada da fórmula que inclui o crescimento econômico, o aumento do salário mínimo passou a seguir limites estabelecidos pelo novo arcabouço fiscal. A regra determina que o crescimento real das despesas públicas deve ficar entre 0,6% e 2,5% acima da inflação.
Na prática, isso significa que, mesmo com expansão maior da economia, o reajuste do salário mínimo não pode ultrapassar esse teto. Para 2027, como a estimativa de crescimento do PIB está dentro desse limite, o ganho real será aplicado integralmente.
Projeções para os próximos anos
O governo também apresentou estimativas para o salário mínimo nos anos seguintes. Os valores ainda são preliminares e podem sofrer alterações conforme o cenário econômico:
2028: R$ 1.812
2029: R$ 1.913
2030: R$ 2.020
Impacto nas contas públicas
O salário mínimo é referência para o pagamento de benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas, o que amplia o impacto do reajuste sobre as contas públicas.
Desde 2023, o governo voltou a adotar a política de valorização que considera inflação e crescimento econômico, modelo que havia sido utilizado entre 2006 e 2019. No entanto, a inclusão do mínimo nas regras do arcabouço fiscal passou a impor limites ao aumento real.
O texto agora será analisado pelo Congresso Nacional e deve orientar a elaboração do Orçamento da União para 2027.