POLÍTICA
Cláudia denuncia perseguição, Rodrigo Camargo defende demissões e Ada Dantas reage
Polêmica ocorre após denúncias de demissões de eleitores de Lula e boicotes a empresas ligadas ao PT
Publicado em 29/10/2026 às 09:52
A ex-vereadora de Porto Velho Ada Dantas repudiou a declaração do deputado estadual e vice-governador eleito de Rondônia, Rodrigo Camargo (Podemos), sobre o direito de empresários contratarem e demitirem funcionários. A reação ocorreu após uma troca de pronunciamentos na Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), na terça-feira (27), iniciada por denúncias de perseguição política apresentadas pela deputada estadual Cláudia de Jesus (PT).
Em manifestação posterior, Ada questionou as consequências do posicionamento de Camargo para o futuro governo de Marcos Rogério (PL) e alertou para o risco de tratamento discriminatório contra cidadãos que pensam de maneira diferente dos futuros governantes.
“Se a preferência política pode ser usada como justificativa para retirar o emprego de alguém, qual será o tratamento dispensado aos cidadãos que pensam diferente dentro da administração pública, nos órgãos públicos do estado de Rondônia?”, questionou.
A ex-vereadora também criticou o que considera uma contradição entre a defesa dos valores cristãos e a possibilidade de discriminação contra trabalhadores por suas preferências eleitorais.
“Como os senhores, que se dizem de direita, cristãos, vão conciliar isso? Olha, eu odeio o próximo quando for para demitir petista. Amo o próximo quando for para contratar PL”, ironizou.
Entenda como começou a polêmica
A discussão teve início na terça-feira (27), quando Cláudia de Jesus utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa para denunciar relatos de ameaças, demissões e campanhas de boicote após as eleições de 4 de outubro.
Segundo a parlamentar, seu gabinete recebeu pedidos de ajuda de pessoas que afirmaram ter sofrido retaliações por suas escolhas eleitorais. Entre os casos mencionados, está o de uma pessoa que relatou ter perdido o emprego por votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Cláudia também manifestou solidariedade a comerciantes, empresários e comunicadores que, segundo os relatos recebidos, teriam sido incluídos em listas de boicote por associação ao Partido dos Trabalhadores.
“Nenhuma pessoa merece ser perseguida por suas convicções políticas”, declarou.
A deputada anunciou que seu gabinete vai reunir documentos e encaminhar as denúncias aos órgãos competentes para apuração.
Camargo rebate pronunciamento
Após a manifestação de Cláudia, Rodrigo Camargo ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa e fez críticas ao presidente reeleito Lula, além de mencionar o que considera perseguição política contra integrantes da família Bolsonaro.
Ao abordar a liberdade de escolha dos eleitores, o parlamentar defendeu o direito dos empresários de contratar e demitir funcionários.
“Sim, é bem verdade, cada um deve votar no candidato que lhe representa. Mas também o empresário tem direito de contratar e demitir quem quiser. Isso é liberdade de cada um”, afirmou.
Camargo encerrou o discurso com uma declaração dirigida aos seus apoiadores.
“O presente é deles, mas o futuro, sem sombra de dúvidas, é nosso. Não vamos desistir do Brasil e nem de Rondônia”, declarou.
Embora o deputado não tenha defendido expressamente a demissão de eleitores de Lula, a fala, feita após denúncias de retaliações por motivos eleitorais, provocou a reação de Ada Dantas.
Ada questiona governabilidade
Ao comentar a declaração, Ada afirmou que a preocupação vai além das relações trabalhistas, uma vez que Camargo assumirá a vice-governadoria de Rondônia.
“A governabilidade exige confiança, respeito institucional e igualdade de tratamento. O Estado não pertence a um governador ou ao seu vice. Ele pertence ao povo”, afirmou.
A ex-vereadora questionou se cidadãos que não compartilham das mesmas convicções políticas dos futuros governantes poderão sofrer algum tipo de discriminação em hospitais, escolas e outros serviços públicos.
Ada também citou o artigo 37 da Constituição Federal, que estabelece a impessoalidade como um dos princípios da administração pública.
“O voto é livre. O serviço público é para todos. Nenhum governador está acima da Constituição”, declarou.
Em seguida, direcionou um alerta ao governador eleito Marcos Rogério, afirmando que o posicionamento do futuro vice pode provocar desgaste para sua imagem política.
“Senhor Marcos Rogério, fica o alerta como cidadã: espelhe-se no prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, que indicou o senhor para essa população votar”, afirmou.
“É um absurdo o que está acontecendo hoje. E essa declaração do seu vice, de alguma forma, mancha a sua imagem, porque ele é vice-governador eleito do estado de Rondônia. E o senhor é governador eleito do estado de Rondônia”, acrescentou.
Liberdade empresarial e discriminação política
A legislação brasileira assegura aos empresários o direito de administrar seus negócios e realizar contratações e desligamentos dentro dos limites legais. Entretanto, essa liberdade não autoriza práticas discriminatórias contra trabalhadores em razão de suas convicções políticas.
Fonte: Da Redação
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