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SAÚDE E CLIMA

Sesau cria plano de saúde para enfrentar impactos de novo El Niño em 2026

Documento prevê ações contra seca, queimadas e aumento de doenças respiratórias

Publicado em 03/09/2026 às 15:49

El Niño (Foto: Divulgação | Sesau)

Depois de enfrentar em 2024 uma das maiores crises climáticas dos últimos anos, Rondônia se prepara para um possível novo período de estiagem, queimadas e piora na qualidade do ar. Diante da previsão de um novo ciclo do fenômeno El Niño entre 2026 e 2027, o Governo de Rondônia elaborou um plano para organizar antecipadamente a resposta da rede estadual de saúde aos efeitos do clima.

O Plano Operacional Integrado de Contingência Climática em Saúde foi desenvolvido pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e reúne medidas para garantir o atendimento à população mesmo diante de cenários de crise provocados pelas condições climáticas.

A preocupação considera tanto as previsões atuais quanto o que ocorreu recentemente no estado. Em 2024, Rondônia registrou a menor cota já observada do Rio Madeira, além de um dos maiores volumes de queimadas dos últimos 14 anos. No mesmo período, os atendimentos de crianças com problemas respiratórios aumentaram mais de 100%.

El Niño pode persistir até 2027

Os dados de monitoramento utilizados na elaboração do plano apontam uma probabilidade entre 97% e 100% de permanência do El Niño até o início de 2027. Em junho deste ano, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou o nível de alerta do fenômeno de “observação” para “aviso”.

Para Rondônia, a previsão indica possibilidade de chuvas abaixo da média nas regiões noroeste e central do estado. Em anos anteriores, condições semelhantes contribuíram para períodos de seca, aumento das queimadas e deterioração da qualidade do ar.

É justamente nesse cenário que o governo pretende antecipar a organização da rede de saúde, em vez de concentrar as medidas apenas quando os impactos já estiverem instalados.

Medicamentos e vacinas entram no planejamento

Entre os pontos considerados estratégicos está a criação de uma cadeia logística capaz de continuar funcionando durante situações de emergência climática.

O planejamento prevê medidas para garantir o abastecimento de medicamentos, manter a rede de frio responsável pela conservação de imunobiológicos, assegurar a distribuição de hemocomponentes e preservar o funcionamento de equipamentos utilizados para diagnóstico.

O documento também considera as particularidades de Rondônia, principalmente nas localidades onde o transporte depende dos rios. Em períodos de seca, a redução do nível das águas pode dificultar o deslocamento e o abastecimento de comunidades que vivem em regiões mais isoladas.

Comunidades vulneráveis terão atenção prioritária

A Atenção Primária à Saúde (APS) será utilizada como uma das principais bases para a resposta aos impactos climáticos. A estratégia prevê que as unidades funcionem como porta de entrada e ponto de coordenação do atendimento nos territórios atingidos.

O plano estabelece ainda atenção especial para populações consideradas mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, entre elas indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Esses grupos enfrentam, em diferentes regiões, dificuldades de deslocamento e acesso aos serviços de saúde, situação que pode se agravar durante períodos de seca ou outros eventos extremos.

Para o secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira, a preparação antecipada faz parte da estratégia de prevenção adotada pelo governo.

“Estamos empenhados em trabalhar cada vez mais com a prevenção e o cuidado com a população”, afirmou.

Experiência de 2024 orientou elaboração

O novo planejamento também leva em conta a experiência vivida por Rondônia em 2024. Naquele ano, 18 municípios tiveram situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal em razão dos impactos enfrentados.

Já em 2025, o estado registrou uma redução de 91,4% nos focos de calor, segundo os dados apresentados no plano, resultado apontado como a maior queda entre os estados brasileiros.

A experiência serviu de referência para a elaboração de uma estratégia voltada não apenas às queimadas, mas aos diferentes efeitos que eventos climáticos extremos podem provocar na saúde pública.

Rondônia está entre os oito estados brasileiros que já possuem um planejamento específico para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na saúde.

Plano ainda será discutido com municípios

O documento está concluído, mas ainda passa por uma etapa de validação e discussão com os municípios de Rondônia. A previsão é que o plano seja apresentado para aprovação na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) ainda em 2026.

A expectativa é que, após essa etapa, as ações possam ser executadas de forma integrada entre o Estado e os municípios, permitindo uma resposta mais organizada caso os efeitos previstos para o próximo ciclo do El Niño se confirmem.

Fonte: Da Redação