SAÚDE
Rondônia é único estado do Norte a oferecer cirurgia para hanseníase pelo SUS
Mais de 3 mil procedimentos já foram realizados desde 2019 no Hospital de Retaguarda
Publicado em 02/09/2026 às 09:58
Para quem convive com dores, perda de sensibilidade e limitações causadas pela hanseníase, o tratamento pode ir além dos medicamentos. Em Rondônia, pacientes que precisam de intervenção cirúrgica em decorrência da doença têm acesso gratuito ao procedimento pela rede pública de saúde. O estado é atualmente o único da região Norte a oferecer esse tipo de cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O atendimento é dividido entre duas unidades da rede estadual. O acompanhamento clínico especializado é realizado na Policlínica Oswaldo Cruz (POC), enquanto os procedimentos cirúrgicos são feitos no Hospital de Retaguarda de Rondônia, em Porto Velho.
Desde que o serviço foi implantado, em 2019, já foram realizados 3.059 procedimentos de neurólise relacionados à hanseníase. A técnica é utilizada para aliviar a compressão dos nervos atingidos pela doença e pode contribuir para diminuir dores e recuperar parte da funcionalidade comprometida.
Referência além de Rondônia
A estrutura oferecida pelo estado também ganhou reconhecimento nacional. O Ministério da Saúde convidou profissionais de Rondônia para participar de uma capacitação sobre procedimentos cirúrgicos de hanseníase destinada a equipes médicas de Angola.
A atividade está prevista para outubro deste ano e terá organização e alinhamento do Ministério da Saúde. A iniciativa reforça o papel de Rondônia como referência na área, tanto pela oferta do tratamento cirúrgico quanto pelo acompanhamento multidisciplinar disponibilizado aos pacientes.
Cirurgia pode devolver qualidade de vida
O cirurgião ortopedista especializado em hanseníase, Felipe Casseb, explica que a intervenção cirúrgica, quando indicada e associada ao acompanhamento especializado, pode representar uma mudança significativa na rotina dos pacientes.
“Muitos ainda não conhecem a existência desse tratamento e convivem durante muito tempo com dores que, em alguns casos, são bastante limitantes. Já acompanhei casos de pessoas que não sabiam mais o que era dormir bem por causa da dor constante”, relata.
A moradora de Pimenta Bueno Rosane Petry é uma das pacientes que passou pelo procedimento no Hospital de Retaguarda. Segundo ela, a cirurgia abriu novas possibilidades para atividades que antes eram prejudicadas pelas dores.
“Antes eu não podia fazer academia nem participar das atividades do trabalho. Só vivia com dor, muita dor. Mas, graças a Deus, agora vou poder fazer tudo o que quero”, conta.
Doença pode afetar nervos
A hanseníase é uma infecção crônica provocada pela bactéria *Mycobacterium leprae*, também conhecida como bacilo de Hansen. A doença atinge principalmente a pele e os nervos periféricos e pode evoluir de maneira silenciosa, fazendo com que os primeiros sinais passem despercebidos.
Entre os sintomas que merecem atenção estão manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas na pele, principalmente quando há alteração da sensibilidade no local.
Também podem ocorrer perda ou redução da capacidade de sentir calor, frio, toque ou dor, ressecamento da pele, queda de pelos — especialmente nas sobrancelhas — e diminuição ou ausência de suor.
Outro possível sinal é o aparecimento de nódulos ou caroços pelo corpo, que podem apresentar vermelhidão e dor.
Sem diagnóstico e tratamento adequados, a infecção pode comprometer os nervos periféricos e provocar dores, perda de sensibilidade, fraqueza muscular e limitações físicas.
Onde procurar atendimento
A orientação para quem identificar algum sinal suspeito é procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município. Após a avaliação e os procedimentos necessários, os pacientes que precisarem de atendimento especializado são encaminhados para a Policlínica Oswaldo Cruz.
Na POC, o paciente passa por acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Quando existe indicação para cirurgia, o encaminhamento é feito para o Hospital de Retaguarda, garantindo a continuidade do tratamento pela rede pública.
O secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira, reforça que reconhecer os sintomas e buscar atendimento são passos importantes para evitar a progressão da doença.
“Rondônia conta com um serviço completo e especializado, com profissionais capacitados para oferecer todo o suporte necessário. É fundamental que a população conheça os sintomas e procure atendimento profissional. Muitas pessoas convivem com dores e limitações sem saber que existe tratamento capaz de melhorar sua qualidade de vida”, afirma.
A rede estadual mantém, dessa forma, uma linha de cuidado que começa na atenção básica, passa pelo acompanhamento especializado e pode chegar à intervenção cirúrgica quando necessária, sem custo para o paciente.
Fonte: Da Redação
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