SEGURANÇA DIGITAL
Ataques desviam cerca de R$ 30 milhões via Pix de instituições financeiras
Parte dos valores foi bloqueada após transferências fracionadas para driblar nova trava do BC
Publicado em 14/08/2026 às 14:50
Um novo ataque cibernético contra instituições financeiras resultou no desvio de cerca de R$ 30 milhões por meio do Pix no último sábado (6). Os valores ainda estão sendo contabilizados, mas parte dos recursos já foi bloqueada pelas instituições que receberam as transferências.
Entre as instituições atingidas estão a E2 Pay e o Banco Triângulo (Tribanco). Segundo as informações divulgadas até o momento, o ataque ficou restrito aos recursos mantidos pelas instituições financeiras e não afetou as contas dos clientes.
O episódio ocorreu apenas um dia após o Banco Central (BC) anunciar novas medidas para reforçar a segurança do sistema financeiro diante do avanço de fraudes e da atuação de organizações criminosas no setor.
Criminosos fracionaram transferências
Uma das novas regras anunciadas pelo BC estabelece uma trava para transações via Pix ou TED acima de R$ 15 mil realizadas por instituições de pagamento sem autorização de funcionamento do Banco Central ou por meio de provedoras de serviços de tecnologia da informação (PSTI).
A medida entrou em vigor na sexta-feira (5) e tinha como objetivo dificultar movimentações de grandes valores e facilitar a identificação de operações suspeitas.
De acordo com interlocutores, os criminosos teriam contornado a restrição ao dividir os valores em transferências menores, de aproximadamente R$ 10 mil. Dessa forma, conseguiram movimentar os recursos sem ultrapassar o limite estabelecido pela nova trava.
Apesar do valor elevado, o montante desviado neste episódio é inferior ao registrado em ataques recentes contra empresas do setor. Em um dos casos, envolvendo a C&M Software, os prejuízos ultrapassaram R$ 800 milhões. Já o ataque contra a Sinqia resultou em desvios superiores a R$ 700 milhões.
Tribanco confirma ataque
Em nota, o Tribanco informou que sofreu um incidente de segurança digital em 6 de setembro, que provocou transferências indevidas por Pix. Segundo a instituição, uma parcela significativa dos valores foi bloqueada pelas instituições destinatárias.
O banco afirmou ainda que reforçou os protocolos de cibersegurança e ampliou o monitoramento em tempo real das operações. A instituição também declarou que não houve vazamento de dados cadastrais dos clientes.
O Tribanco informou que mantém contato com o Banco Central e demais autoridades responsáveis pela investigação do caso.
Segundo o banco, o ataque teve como alvo diretamente seu sistema, que possui conexão direta com o Banco Central. O mecanismo utilizado, portanto, teria sido diferente dos ataques anteriores, que exploraram vulnerabilidades de intermediários tecnológicos.
Banco Central acompanha o caso
Em nota, o Banco Central afirmou que adota diferentes medidas para ampliar a segurança do Sistema Financeiro Nacional e destacou que as novas regras foram anunciadas justamente diante dos recentes ataques a instituições financeiras e de pagamentos.
A autoridade também informou que antecipou medidas que estavam previstas para as próximas semanas e que colabora com órgãos responsáveis pela investigação, como polícias e Ministério Público.
As apurações devem esclarecer o valor total movimentado pelos criminosos, identificar os responsáveis pelos ataques e verificar a extensão dos danos causados às instituições atingidas.
Fonte: Da Redação
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