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JUSTIÇA EM RONDÔNIA

Grupo que levou mais de 1,2 tonelada de cocaína de RO é condenado em Porto Velho

Operação Puritas revelou rota até o Ceará e lavagem de dinheiro com imóveis e veículos

Publicado em 02/09/2026 às 16:13

(Foto: Divulgação)

Uma rota que saía de Porto Velho e chegava a Fortaleza (CE), movimentando grandes carregamentos de cocaína e milhões de reais, terminou com a condenação de integrantes de uma organização criminosa pela Justiça de Rondônia. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (2) pela 1ª Vara de Tóxicos da comarca de Porto Velho, após as investigações da Operação Puritas.

Segundo as provas analisadas no processo, o grupo transportou mais de 1,2 tonelada de cocaína pura entre 2022 e 2024. Para manter a logística do esquema, os criminosos contavam com pontos de apoio em Mato Grosso, Pará e Maranhão, além da estrutura instalada em Rondônia e no Ceará.

A sentença acolheu parcialmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO), que envolvia 25 réus e 11 crimes. As penas impostas variaram conforme a participação de cada acusado, indo de 3 anos de reclusão e 40 dias-multa a 45 anos, 11 meses e 5 dias de prisão.

Como funcionava a organização

De acordo com a decisão judicial, um dos integrantes exercia a liderança da organização em Rondônia. Entre as funções atribuídas a ele estavam a negociação dos carregamentos, o pagamento de integrantes, o fornecimento de veículos preparados para transportar a droga e a aquisição de armas e munições.

O líder também administrava contas bancárias utilizadas pelo grupo, enquanto outros integrantes ficavam encarregados de transportar e fazer a segurança das cargas.

Um dos condenados foi preso em flagrante em Vilhena, no interior de Rondônia, transportando aproximadamente 500 quilos de cocaína e uma arma registrada em nome do líder apontado pela investigação.

Outro integrante atuava em viagens de apoio pelo Pará, seguindo orientações de pessoas que coordenavam as operações a partir de Rondônia e do Ceará.

Dinheiro era escondido em imóveis e empresas

Além da logística para transportar a droga, a organização também teria desenvolvido mecanismos para ocultar o dinheiro obtido com o tráfico.

Conforme a sentença, os recursos eram movimentados por meio de empresas de fachada e convertidos em patrimônio, incluindo imóveis de alto padrão, propriedades rurais e veículos de luxo.

Entre os bens identificados durante as investigações estão uma casa localizada em condomínio fechado em Porto Velho e fazendas. O grupo também teria utilizado depósitos fracionados em instituições financeiras para dificultar o rastreamento da origem dos valores.

Durante a Operação Puritas, os investigadores encontraram em um cofre R$ 580 mil e US$ 8.157 em espécie. A decisão judicial reconheceu que o dinheiro era proveniente do tráfico de drogas.

Justiça rejeitou pedidos da defesa

Antes da análise das acusações, a defesa dos réus apresentou pedidos para anular o processo. Os requerimentos foram rejeitados pelo juiz, que manteve a competência da Justiça Estadual para julgar o caso e considerou válidas as provas digitais obtidas em redes sociais e aplicativos.

A decisão também determinou a perda do cargo público de policiais rodoviários federais envolvidos no processo. Em relação aos policiais militares citados nas investigações, as providências deverão ser analisadas pela Justiça Militar.

A Operação Puritas expôs uma estrutura criminosa que, segundo o processo, utilizava Rondônia como ponto estratégico para a movimentação de grandes quantidades de drogas, conectando a região Norte a outros estados por meio de uma rede organizada de transporte, apoio e circulação de recursos.

Fonte: Da Redação