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AULAS SUSPENSAS

PANDEMIA: Mães temem que filhos percam ano letivo em Porto Velho

Para algumas mães ouvidas pelo Portal da Cidade o ano letivo 2020 já está comprometido

Postado em 02/06/2020 às 07:00 |

(Foto: Imagem ilustrativa - Portal da Cidade )

A indefinição quanto ao futuro do calendário letivo preocupa os pais de alunos matriculados nas instituições de ensino da rede pública e privada em Porto Velho. Em Rondônia, as atividades educacionais foram suspensas no dia 17 de março, já são quase 80 dias sem aulas. A suspensão, de acordo com último decreto, segue até 30 de junho.

Mães ouvidas pelo Portal da Cidade consideram que a distância forçada pelo isolamento social apesar de ser extremamente necessária, inevitavelmente dificulta o processo pleno de aprendizagem. Elas têm dúvidas de como o conteúdo será reposto, qual será a qualidade do ensino e se o ano letivo ficará ou não comprometido.

Mirtes Magalhães é mãe dos gêmeos Vinícius e Eduardo de oito anos que estudam na Escola Estadual Bom Jesus. Além dos gêmeos, Mirtes também é mãe do Hugo de seis anos que estuda na Escola Municipal Flor do Piquiá. Para ela, apesar dos esforços governamentais em manter as atividades por meio de plataformas online, o rendimento escolar caiu muito, principalmente neste primeiro momento, pois os pais, os alunos e própria escola estão passando por fase de adaptação.

“É preciso entender que a casa tornou-se uma extensão da instituição escolar. Neste caso é preciso disciplina em relação aos horários e, principalmente, manter uma constância no conhecimento repassado as crianças para que elas continuem se desenvolvendo”, explicou.

Para Mari Raimund, mãe dos gêmeos Gabriela e Daniel de oito anos que estão no 3º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Nossa Senhora do Amparo, a metodologia aplicada afeta a qualidade do ensino, pois as atividades repassadas são para serem desenvolvidas durante toda a semana pelos alunos e se fossem feitas na escola seriam realizadas no máximo em dois dias de aula. “O ideal seria que as atividades fossem repassadas diariamente e acompanhamento do professor”, afirma.

A mudança na metodologia do ensino também afetou as escolas particulares. Na opinião Myrna Peres, mãe do Drawy de 13 anos, que cursa o 8º ano do ensino fundamental em uma escola particular e da Alexya de cinco anos que está no pré-II da Escola Municipal Pequeno Polegar, é preciso repensar as estratégias dos gestores escolares para evitar o comprometimento não só do calendário letivo 2020, como também o do ano subsequente.

“Infelizmente, 2020 é um ano perdido e para que os resultados sejam menos desastrosos, acho que o importante agora é pensar no ano letivo de 2021. Os gestores devem se planejar, elaborar estratégias e projetos de forma a suprir a falta que teve em 2020”, pontuou Myrna.

O que dizem os especialistas

Para Clarice Lemos Ferreira, mestranda do programa de Mestrado da Universidade Federal de Rondônia (Unir) com pesquisas desenvolvidas na área de Educação, o oferecimento das aulas remotas preocupa os pesquisadores, sobretudo, em relação à qualidade e o acesso à internet.

“Nossa maior preocupação é relação às crianças, porque elas dependem dos pais para ter acesso ao conteúdo e muitos trabalham o dia inteiro e só tem tempo disponível à noite. Por conta disso, alguns professores estão tendo que exceder o horário de trabalho para atender esses casos. É um efeito dominó”, explica.

De acordo com Clarice, há exceções, mas nem todos os professores possuem habilidades no uso das tecnologias para atender essa demanda com eficiência.

Clarice Lemos Ferreira - especialista em Educação

Uso de tecnologia

Mas diante da pandemia e com pouco tempo para planejar essas estratégias, penso que estamos galgando alguns passos, lentos, mas em movimento

Clarice Lemos Ferreira - especialista em Educação

Por outro lado, a especialista reconhece os esforços empreendidos pelas autoridades e órgãos ligados a Educação para que o direito da criança e do adolescente estudarem seja resguardado.

“Há uma união muito grande pra sanar essas dificuldades. O direito está sendo garantido, mas só vamos colher os resultados quando começarmos a avaliar essa criança de forma completa e falo isso porque a educação deve ser integral, ou seja, deve desenvolver os aspectos emocional, social, cultural, intelectual e físico. E nessas circunstâncias não conseguimos desenvolver todos esses aspectos”, finaliza.


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